ESCOLA É LUGAR DE BRINCAR OU ESCOLA É LUGAR DE APRENDER?

Tânia Maria A. de Campos Rezende e Vitória Regis Gabay de Sá   

É muito comum pensarmos que a criança pequena precisa brincar e que mais tarde, quando cresce e se aproxima da idade de alfabetização, já precisa ir para uma escola mais "séria", dessas que têm lição e apostila e que apresentam sua eficiência com base em índices de aprovação no vestibular. As crianças de 4 a 6 anos precisam brincar também, e muito! Não porque não precisem ainda aprender seriamente e se alfabetizar, mas justamente por isso: brincar é uma atividade completa, que mobiliza processos cognitivos complexos e possibilita que a criança desenvolva suas competências nas diversas áreas do conhecimento, com qualidade.

Quando se busca formação, não só informação, e educação, além do ensino, é fundamental que a escola proporcione espaço para o brincar, sem temer com isso que as crianças fiquem menos preparadas para o ensino fundamental. É justamente o oposto e a própria escola precisa rever essa dicotomia entre aprender e brincar. Quando a brincadeira é precocemente, aos 5 ou 6 anos, substituída por atividades dirigidas, exercícios gráficos de psicomotricidade, fichas e apostilas em que a criança só precisa responder (adivinhar) o que a professora espera, e relegada ao momento de pátio (às vezes até isso reduzido para 15 ou 20 minutos...), a aprendizagem escolar começa a perder o sentido para a criança e se tornar uma atividade sem graça, entediante, obscura, ansiógena e/ou massacrante. Qualquer iniciativa da criança em se movimentar, criar, fantasiar, falar ou interagir com os outros passa a ser considerada como desatenção ou hiperatividade.

Na Jacarandá, as crianças do Grupo 5, por exemplo, ainda brincam diariamente uma hora ao ar livre e semanalmente têm de 2 a 3 horas especificamente para brincar em sala de aula, bem como outros momentos que surgem numa rotina que é organizada com a participação delas. Além dessa brincadeira livre, existe aquela que é coordenada, ensinada, orientada ou sugerida pelos professores, como as brincadeiras da cultura infantil, como amarelinha, pega-pega, corre-cotia, adoleta, as brincadeiras motoras (como pular corda e jogar bola), as rodas cantadas, as dramatizações de histórias e os jogos. Em mais de 10 anos de experiência, o retorno do desempenho de nossos alunos nas escolas de ensino fundamental é excelente e nunca houve dificuldade para a realização daqueles testes ou sondagens aplicados por algumas escolas, pois as crianças aprendem a pensar e a confiar em si mesmas.

Numa época onde se fala da valorização das competências e habilidades, da necessidade de saber tomar decisões, saber agir na urgência e na incerteza, saber mobilizar recursos, saber trabalhar em equipe, aprender novos conhecimentos não basta. O jogo dá acesso a esse tipo de competência, de raciocínio. O espírito lúdico é pré-condição para o espírito crítico. O aprendiz deve ter a possibilidade de fazer, refazer, errar, consertar, ter várias chances para si mesmo, até encontrar satisfação no que faz.

Se escola é lugar de aprender, também é lugar de brincar!