Nos velhos tempos aprendíamos a ler e escrever com as cartilhas. E agora, como é?
 

As crianças não fazem mais aqueles exercícios de coordenação motora, não fazem cópias e ditados. Então, elas aprendem sozinhas? De repente, quando menos esperamos, estão lendo nomes de ruas, placas de estabelecimentos comerciais, de carros. E nós, mal podemos precisar como foi que elas se alfabetizaram.

No processo de aquisição da escrita observamos que a criança age sobre os materiais gráficos da mesma maneira como faz com outros objetos presentes em seu cotidiano - observa, separa em partes, junta de novo, inclui na brincadeira, imita os adultos que a utilizam, faz relações, muda de posição... Ou seja, é necessário ter um contato ativo e sistemático com o que se quer conhecer para que haja uma apropriação significativa daquele conhecimento.

(...) aquelas escritas sem pé nem cabeça -- que costumam ser produzidas pelas crianças e que pareciam indicar aos professores a existência de 'problemas de alfabetização' -- correspondem à parte mais interessante do processo através do qual um sujeito pensante desvela o sistema de escrita. (Telma Weisz)

Para que a criança se aproprie do sistema representativo da escrita de forma significativa é necessário tempo! Desde que elas são bem pequenas são planejadas situações em que as crianças tenham um contato prazeroso com histórias, poesias, notícias, jogos, registros e com materiais gráficos. Tais situações possibilitam que as crianças tenham uma relação de interesse e curiosidade para com os materiais e textos e também que, à medida que vão crescendo, criem hipóteses a respeito de como a escrita se organiza.

Portanto, a criança não aprende sozinha, precisa de um “ambiente alfabetizador”, que a desafie a pensar e a usar a escrita e a leitura como forma de ampliar sua visão do mundo. Os quadros de rotina, o calendário, os jogos que envolvem os nomes dos alunos do grupo, bem como as atividades de registro e pesquisa feitas nos projetos são a forma que consideramos mais significativa e estimulante para oferecer às crianças este ambiente alfabetizador.

Com as recentes mudanças na lei que regulamenta o Ensino Fundamental, ampliado para 9 anos, e que antecipa em um ano a entrada das crianças nesta etapa de escolarização, temos observado um equívoco em relação à expectativa e conseqüentemente ao grau de exigência que se tem das crianças. Ora, aprender antes não é aprender melhor. Todas as crianças precisam passar por uma sucessão de etapas para construir o processo de alfabetização, não há porque apressar este processo, sob o risco de empobrecê-lo e até de bloqueá-lo.

Brincar, correr, pintar, imaginar, fazer amigos, conhecer o mundo físico são atividades fundamentais para que as crianças se preparem para ler o mundo de forma mais ampla e, portanto para aprender a ler e escrever.

 
 
AS ATIVIDADES DE PINTURA NA ESCOLA JACARANDÁ
 

A pintura é provavelmente a modalidade artística mais antiga da história do homem. Utilizar líquidos mais ou menos consistentes, com pigmentos diversos, para fazer marcas em alguma superfície de modo intencional é uma prerrogativa humana.
As crianças descobrem cedo essa possibilidade, ao brincar com sua comida, por exemplo, mas precisam de muita experiência de ação, interação social e apreciação para que cheguem a uma pintura expressiva e significativa, para si mesma e para os demais.
A prática da pintura na educação infantil é fundamental e muito acessível. A seleção de materiais e estratégias deve estar vinculada aos objetivos específicos para determinado grupo de crianças, à sua relevância social, ao conhecimento da faixa etária e à empatia do professor (para que ele coordene a atividade com genuíno prazer).

Objetivos gerais:

  • ampliar suas possibilidades de linguagem e, portanto, comunicar-se mais e melhor com o mundo circundante;
  • utilizar a linguagem pictórica (obras de arte, ilustrações, imagens publicitárias, etc) como leitor (com um olhar sensível e inteligente) e como autor;
  • valorizar a linguagem pictórica como forma de expressão e representação;
  • apropriar-se de elementos relativos à nossa cultura (a história e o imaginário cultural retratados, artistas, símbolos...);
  • ter contato e estabelecer relações com conhecimentos sociais e dados de diversas culturas;
  • interessar-se pelo uso ativo e exploratório dos materiais de pintura;
  • ampliar suas experiências sensório-motoras e seu repertório de sensações táteis, visuais e sinestésicas;
  • ampliar seu repertório de imagens e enriquecer a própria imaginação;
  • ser capaz de pintar, com sentido e com prazer;
  • desenvolver atitudes de respeito às produções próprias e alheias.

“Se uma obra de arte tem que ser necessariamente bela, a resposta virá da concepção de belo e de arte de cada pessoa. Assim como uma aula de arte, bela ou não, será sempre conseqüência da concepção de arte de cada professor. Caem por terra, portanto, todos os métodos e formulas prontas para o ensino da arte. Se aceitarmos esse princípio, cada professor terá de encontrar seu próprio caminho, a partir de suas escolhas estéticas e de como concebe o sujeito a ser educado: autor ou reprodutor?”


                                                                        (Ana Angélica Albano)

 
 
O Trabalho Corporal na Escola
 

As crianças movimentam-se o tempo todo! Através do corpo, não somente expressam suas sensações e emoções, como interagem com o mundo e aprendem, conhecem a si mesmas e desenvolvem suas capacidades.
Na educação infantil, o corpo é um elemento da mais alta importância e a escola precisa investir na qualidade e diversidade de experiências motoras e corporais que proporciona às crianças no dia-a-dia. Todas as atividades relacionadas ao movimento devem ter por objetivos, além dos aspectos físicos e corporais, que as crianças conheçam o próprio corpo, suas possibilidades e limites de movimento, construam uma auto-imagem positiva e estabeleçam uma relação saudável com os outros e com o ambiente. Lembramos que as crianças devem ser respeitadas em suas diferenças e, portanto, não temos como objetivo que todos realizem os mesmos movimentos com a mesma habilidade e destreza. È importante que todos sejam encorajados e valorizados em suas realizações.
Estas atividades estão diretamente ligadas a noções de espaço e tempo, pois todo movimento envolve ritmo - tanto que é freqüente realizarmos brincadeiras que mobilizam corpo e música.
Toda a equipe da escola trabalha de modo coerente e amplia e aprofunda seu olhar para o corpo e o movimento através de reuniões e cursos. O professor precisa também conhecer seu próprio corpo e trabalhar com sua respiração e postura, pois está em íntima relação com as crianças e é modelo para elas. Contamos com uma professora formada em Educação Física e a assessoria contínua de uma Fonoaudióloga, além da assessoria de pediatras, que contribuem para uma visão global da criança e seu corpo em intenso processo de formação e crescimento na primeira infância.

ALGUNS ASPECTOS DO DIA-A-DIA

SENTAR - Sentamo-nos no chão várias vezes ao dia e, nos momentos de roda, é importante que as crianças adotem uma postura saudável para o corpo. Para ajudá-las a se organizarem corporalmente, confeccionamos um "mini-banquinho" para cada uma, com uma lista telefônica encapada. Ao realizarem atividades à mesa, sentadas em cadeiras, também é importante que as crianças tenham apoio dos pés no chão, possibilitando melhor uso dos braços e mãos - para isso, temos 2 tamanhos de cadeira infantil e usamos o mini-banquinho sob os pés.

TOQUE - No Berçário e no Grupo 1, as professoras realizam alguns movimentos de massagem, que auxiliam na construção da coordenação motora dos bebês, reorganizando o corpo após um período de muita brincadeira. Em final de abril, as professoras fizeram um curso de Psicomotricidade e Massagem Infantil com Cláudia Passos (Psicopedagoga e Massoterapeuta da Escola A.M.O.R.).

BRINCAR COM CORDA - Corda é um material fantástico! As cordas do "brinquedão" do pátio (recentemente trocadas por um material mais resistente e macio) servem a inúmeras brincadeiras, criadas pelas crianças, que acomodam a altura e tensão da corda aos seus objetivos: pendurar-se, balançar, girar, subir ou descer, até com uma "tirolesa" improvisada! Pular corda (e bater corda) também é uma constante nos horários de brincar no pátio: QUANTOS ANOS VOCÊ TEM? 1, 2,...

NA AULA DE EDUCAÇÃO CORPORAL - uma vez por semana, a partir do Grupo 3, as crianças têm um momento privilegiado para trabalhar com o movimento, através das aulas com a profª Marisa Benesi. Numa das atividades, por exemplo, a partir dos movimentos dos animais as crianças exploram suas próprias possibilidades, num processo de imitação e descoberta. A professora convida as crianças a descreverem os movimentos realizados, a registrá-los graficamente e as orienta para adotarem posturas mais harmoniosas, se necessário.

 
 
MÚSICA AO PÉ DO OUVIDO
 
A música é fundamental na vida humana. Produzir sons e apreciar música são ações que fazemos espontaneamente, com alegria e interesse, desde os primeiros dias de vida. Mesmo o bebê mais novo é capaz de discriminar mudanças de timbre, volume e ritmo e rapidamente diferencia a voz de sua mãe das demais. Assim que descobre que provocou um ruído, repete o gesto inúmeras vezes e mostra preferência por brinquedos e objetos sonoros. Em pouco tempo, o bebê brinca com sua própria voz e com suas possibilidades orais. Antes do primeiro aniversário, o bebê já pronuncia os sons de sua língua em detrimento de outros sons, pertencentes a idiomas que não escuta em seu meio. Ao escutar uma música, espontaneamente os bebês balançam o corpo, as mãos, a cabeça, e sua alegria contagia a todos que estão por perto. Conforme cresce, desde que tenha oportunidade, a criança amplia seu repertório musical e pode interagir de modo cada vez mais elaborado com a música.
A música participa da vida das crianças de diversas formas: cantada pelas pessoas próximas, tocada no rádio, através de Cd's/ fitas cassete/ DVD's/ Internet, na televisão, em apresentações em locais públicos ou espetáculos pagos, em atividades escolares, em festas... Consideramos que, dentre todos esses meios, a música tocada ao vivo é a mais marcante, pois ela vibra, literalmente. Quem possui alguma deficiência auditiva percebe (talvez com mais clareza) a vibração da música, mas todos podem sentir no corpo a reverberação produzida, por exemplo, por uma bateria de escola de samba !
Além do próprio fenômeno físico-sonoro, a música ao vivo traz a presença de quem toca - a música é sempre interpretação e os cantores e instrumentistas carregam sua emoção e sua subjetividade ao executar a música. Há um elemento plástico nos movimentos de um instrumentista e a criança, que tudo observa e imita, amplia seus horizontes...

Exceto em raras apresentações públicas ou entre familiares e amigos que tocam ou cantam, é muito difícil a criança ter acesso à música ao vivo e a instrumentos clássicos. Concertos exigem silêncio e imobilidade num tempo impraticável pra crianças pequenas e as apresentações voltadas ao público infantil só reforçam a vontade de ver e ouvir mais! Nesse aspecto, a escola também pode propiciar um contato significativo da criança com a música e com os musicistas.

Na Jacarandá, sempre que tivemos oportunidade, abrimos as portas para receber pais, mães e amigos músicos, que vieram tocar e cantar para as crianças. Através de alguns projetos específicos e nas aulas de musicalização, as crianças entraram em contato com percussionistas (como o próprio professor de música), tecladistas, flautistas, violinistas e com diversos recursos tecnológicos de gravação e edição musical. Nas festas de junho, sempre tivemos um grupo musical tocando ao vivo: trios ou bandas de forró, duplas de sanfona, grupos de viola caipira... e não há nada mais gostoso do que reunir quem gostamos para dançar e curtir uma boa música! Buscamos agora ampliar e diversificar esse contato e gostaríamos que a música fosse vivida aqui na escola rotineiramente - por isso criamos o projeto Música ao Pé do Ouvido.

O PROJETO

"Música ao Pé do Ouvido" significa música pertinho de nós, tocada e/ou cantada como um segredo que guardamos com carinho. Pensamos na proximidade da criança com o músico, tanto em termos físicos, quanto em termos de relação.

O projeto consiste em convidar músicos profissionais e estudantes de música para virem à escola num horário de aula ou de entrada ou saída, sendo um convidado a cada mês ou quinzena. A "Música ao Pé do Ouvido" poderá ter dois momentos: apresentação e fruição.

Reuniremos as crianças numa sala ou no pátio, onde o convidado irá se apresentar, conversar um pouco com as crianças, apresentar seu instrumento e tocar alguns trechos ou músicas de sua livre escolha. Poderá contar um pouco sobre como começou a tocar, sobre a história de seu instrumento, sobre o compositor que mais gosta, enfim, poderá conversar informalmente, acompanhar os comentários das crianças e responder suas perguntas. Queremos cultivar atitudes de respeito, escuta e curiosidade durante a apresentação, que deverá ser breve (cerca de 20 a 30 minutos). No momento de fruição, o convidado poderá tocar mais algumas músicas, quando será permitido às crianças brincar ou dançar, se assim sentirem vontade, desde que não atrapalhem a audição. Se o convidado vier em horário de saída, o momento de fruição será compartilhado com os pais e adultos que vêm buscar as crianças - em horário de entrada, inverteremos os momentos e iniciaremos com o mais informal, terminando com as crianças reunidas para a conversa e apresentação do músico e instrumento.

Consideramos fundamental que as crianças aprendam a ouvir, o que inclui não só fazer silêncio enquanto o outro fala ou toca/canta, mas se abrir com interesse e admiração ao outro. Consideramos também que as crianças podem apreciar música mesmo que não estejam olhando para quem toca e que uma boa música as convida a dançar, a se movimentar e a brincar, principalmente nesta faixa etária. A idéia, enfim, é criar um espaço informal, gostoso, pessoal, em que as crianças e o músico possam interagir e compartilhar o prazer da música! A cada convidado certamente aprenderemos muito e poderemos ajustar o Projeto para um melhor aproveitamento de todos.


Maio/2004

 

 
 
  Valorizar cada um em sua singularidade, ao mesmo tempo em que se valoriza o convívio e a cooperação grupal é um desafio da educação de hoje.

Atitudes e valores são aprendidos através das experiências vividas e a partir dos modelos que temos desde bebês, da imitação daqueles a quem amamos e de quem dependemos (pais, avós, professores, babás e outros cuidadores). Procuramos, na Jacarandá, criar relações em que tais valores sejam elementos vivos - procuramos aprender primeiro, nós adultos, como lidar com nossas diferenças e similaridades, como aceitarmos que pessoas diferentes precisam de coisas diferentes, mas também que, apesar das suas peculiaridades, merecem igualmente o melhor de nós.

O professor precisa a todo instante manter um "olho" no grupo e outro "olho" em cada criança; precisa adequar suas propostas de modo a oferecer situações de aprendizagem para todos, e não somente para alguns; precisa saber equilibrar atividades individualizadas e atividades coletivas.

Muitas vezes, porém, um ou outro aluno carrega uma característica diferenciadora mais marcante, que suscita no grupo reações de estranhamento, hostilidade ou superproteção. Em processo de construção da própria identidade, precisam deixar claro "eu sou assim/ eu não sou assim". Uma boa maneira do professor interferir positivamente na dinâmica do grupo é através de contos e histórias, além do seu próprio posicionamento diante dos conflitos, que serve de exemplo.
No ano passado (2002), um grupo de crianças de 4 e 5 anos trabalhou o tema da diversidade através de um projeto que culminou com a confecção de um livro, onde cada um colocava suas próprias características e preferências e também era "visto" por cada um dos colegas. A professora, paralelamente à elaboração do livro, contou as histórias Diversidade (Tatiana Belinky) e
O Menino Marrom (Ziraldo).

Com esse Projeto, as crianças puderam perceber que cada um tem sua singularidade e isso contribuiu muito em relação ao respeito às dificuldades e habilidades de cada um.

"A união do grupo ficou mais intensa, pois as crianças se permitiam arriscar mais, ajudando uns aos outros, possibilitando novas conquistas", avalia a professora Paula T. Kesselman. "Foi maravilhoso realizar esse projeto e ver o quanto foi enriquecedor para todos nós".

 


(baseado em palestra do Prof. Lino de Macedo em outubro de 1999)


O jogo nasceu junto com os seres humanos. Os jogos são simulação da realidade. Graças a ele entendemos a vida, superamos as vicissitudes da vida.

O jogo é vital. Pode expressar vida ou ausência dela. A brincadeira é uma maneira lúdica, plena, prazerosa de viver a vida. A vida não é um jogo, mas as formas de viver são jogo.
  A brincadeira é necessariamente uma atividade gostosa, que acalma, reconforta, que nos tira do sério (do pesado, tenso) e nos leva para o espírito lúdico, tendo um apelo simbólico.
O símbolo é algo que se presentifica no lugar de alguma coisa que está ausente, portanto a brincadeira simbólica é algo que religa, que junta o que foi separado. É graças a ela que a criança que entra no período simbólico pode "reunir-se" à sua mãe em sua brincadeira de casinha, por exemplo.
É importante refletir o quanto nós propiciamos a possibilidade de "estar junto".

Nessa sociedade globalizada, vivemos a contradição de haver muita informação mas pouca comunicação. As várias possibilidades de comunicação não garantem a possibilidade de "estar junto". Precisamos refletir sobre o prazer de brincar: estar junto é motivo de conflito, de desavença ou de diálogo, de descoberta?
Graças ao jogos e brincadeiras, os seres humanos desenvolveram a tecnologia. As tecnologias simulam ações do homem. Imitando animais e aprendendo com eles as formas de defesa e ataque é que os homens aprenderam a fazer instrumentos para caça e outras atividades que garantiram a sua sobrevivência ao longo dos séculos.

O jogo não existe por motivo educacional - os jogos nasceram antes da escola, por razões sócio-culturais, por seu apelo simbólico. E, quando deixam de dar prazer ou deixam de ser uma atividade cuja participação é espontânea, deixam de ser jogo. Segundo Lino, os jogos podem ser usados para fins educacionais, mas as crianças não gostam de ser tapeadas - é preciso "abrir o jogo" com a criança, dizer que determinado jogo pode nos ajudar a aprender matemática, por exemplo. É preciso haver o momento de jogar (espontâneo, livre, prazeroso) e o momento de parar de jogar e trabalhar conteúdos escolares. Quando se dissimula o uso do jogo com função educacional, ele pode se tornar o anti-jogo.

Os brinquedos, segundo o professor Lino , são objetos sagrados, oráculos para os quais a criança dirige suas perguntas e brincando encontra sentido para sua vida. Por isso os brinquedos precisam ser bem feitos, precisam ser cuidados.

As pessoas que fazem brinquedos ou trabalham com eles precisam saber do seu valor, pois as crianças são vítimas do desprezo e do consumismo que alguns adultos dispensam ao brinquedo.
Muitas pessoas têm medo de alguns jogos e brinquedos, julgando que são perniciosos às crianças. Os jogos não são bons ou maus por si mesmos, mas em função da relação que se estabelece com eles.

Os jogos e brinquedos são fruto da nossa cultura. O perigo da cultura globalizada é que mata a diversidade e junto um legado da humanidade, que depois dificilmente pode ser resgatado.
Numa época onde se fala da valorização das competência e habilidades, da necessidade de saber tomar decisões, saber agir na urgência e na incerteza, saber mobilizar recursos, saber trabalhar em equipe, a matemática e as ciências não bastam. O jogo dá acesso a esse tipo de competência, de raciocínio.

A escola precisa rever a dicotomia entre aprender e brincar. O espírito lúdico é pré-condição para o espírito crítico. O aprendiz deve ter a possibilidade de fazer, refazer, errar, consertar, ter várias chances para si mesmo, até encontrar satisfação no que faz.